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 SANTA MARTA DE PENAGUIÃO E SEU CONCELHO

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Cabecinha

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Localização : Alvações do Corgo

MensagemAssunto: SANTA MARTA DE PENAGUIÃO E SEU CONCELHO   Sab Out 31, 2009 7:51 am

SANTA MARTA DE PENAGUIÃO E SEU CONCELHO

As graças naturais do Alto Douro provêm de três origens: o céu, a encosta e o rio

O céu preside à luta do homem contra o rio e a encosta.

Hoje um e outra estão dominados pela tecnologia das barragens e pela bravura do braço humano. Embora de costas voltadas para o rio em toda a extensão do seu comcelho, as populações de Santa Marta não deixam de respirar o ar ribeirinho da frescura fluvial. E é um bonito concelho, em triângulo rectangular, circundado pelos limites da Régua, de Vila Real e de Baião, repartindo pelas nove freguesias os 7.000 hectares da sua extensão.

Na sua quase totalidade está integrado na Região Demarcada; a Noroeste, sente-se envolvido pela altaneira Serra do Marão, o melhor ex-libris das terras transmontanas;

a Norte e a Sul pelo fio de água do rio Corgo, cujas encostas verdejantes lhe embelezam as margens até à foz, na Régua.

Percorrendo com intenções turísticas o património paisagístico do concelho, é de ficar verdadeiramente deslumbrado com a altura das montanhas transformadas em vinhedos assentes em socalcos de xisto, a contrastar com a profundidade dos vales que as contornam. Escalando os altos de Fontes, Lobrigos e Cumieira, a panorâmica da paisagem vitivinícola que desde os tempos de Pombal transformou o meio ecológico e habitat das populações.

E uma vez entrado na época outonal, já experimentou o ensejo de voltejar pelas estradas sinuosas das aldeias, após a faina das vindimas?

O cenário policromado da paisagem por acção da mãe natureza é simplesmente indescritível. Não sei se o cineasta Manuel de Oliveira, um dos ilustres filhos desta terra, já terá passado para alguns dos seus filmes, a elevação das cores quentes da paisagem, quando o sol se despede dos mortais, numa tarde outoniça!

Dada a sua posição geográfica, e o seu concelho ser considerado o maior centro produtor de vinho do Porto, tem levado alguns autores a designá-la como “Concha” vinhateira, “Poço do Vinho”.De facto não custa a crer que, desde a implantação da majestática Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, alguns proprietários mais abastados começassem de construir os seus palácios e casas solarengas pelas terras de Penaguião, com o felizmente o turista pode ainda admirar.

É precisamente nessa altura que o Douro conhece um período de prosperidade como nunca tinha atingido e que uma recordação do 1º Visconde de S. Romão nos deixou: “no último terço de setecentos, Penaguião cobriu-se de boas casas; as margens do Douro, do Corgo para cima, despiram-se de matos silvestres, que ainda conservam em muitas partes, e cobriram-se de vinhas.

Lembro-me de ver no Peso da Régua, pela ocasião das feiras, mais numerosas companhias de Senhoras e Cavalheiros, do que tenho visto nas assembleias portuguesas e inglesa da capital. Viam-se todos os dias a passear por entre vinhas, a atravessar os maus caminhos daquele país, ranchos de Senhoras tão asseadas como se fossem para o teatro S. Carlos, trajando vestidos de seda e calças da Índia bordados a ouro”. E acrescenta: “ no Douro desse tempo se acelerava a plantação de vinhas nas áreas mais remotas do vale”.

Refere-se o autor à conhecida “Terra” ou julgado de Penaguião, cuja área compreendia a totalidade dos concelhos de Santa Marta e Mesão Frio, da maior parte de Vila Real e de grande porção do de Peso da Régua.

Origem do topónimo Pena-guião

Por mais que o esforço dalguns estudiosos tenha incidido recentemente sobre as origens históricas de Santa Marta de Penaguião, a verdade é que as conclusões a que chegaram ainda não são suficientemente esclarecedoras de modo a esclarecer os curiosos, tal a densidade das fontes documentais que envolve os documentos.

Em termos de explicação toponímica ou topográfica, convém adiantar que estamos perante dupla dificuldade: Quando e como aparece a designação de Santa Marta associada a Penaguião?

Em documentos alti-medievais aparece-nos “terra de Penaguião”, a quem, nos inícios do século XIII, (1202) é atribuído foral. Este é normalmente atribuído a um povo ou uma terra, com alguma dimensão social e económica pela autoridade régia mediante certas obrigações a cumprir por parte dos vizinhos.

Onde ficava sediada a Vila ou sede de concelho? É uma terra ou uma circunscrição? Em que moldes administrativos se enquadrava ou não nas terras vizinhas de Panóias?

No “Cadastro da População de 1527”, levado a cabo por ordem de D. João III, fala-se muito genericamente do número das populações deste Concelho de Penaguião: “He de povoaçam apartados hus dos outros em quintãs e casaes, e tem muito poucos lugares”, “não tendo lugar algum, e hacendo, dispersos, em Sediellos... “Ou seja, as populações vivem muitas dispersas umas das outras, em suas quintas e casais, e não há nenhum lugar com este nome.

Do teor deste documento infere-se que nos princípios do século XVI ainda não havia nenhum lugar com este topónimo, o que vem dificultar os estudos dos curiosos da identificação histórica desta vila.

A avolumar a questão etimológica como explicar as origens de Penaguião?

Por estas terras quer a sul quer a norte do Douro, encontramos topónimos com o mesmo elemento: Ribeira de Pena e S. Miguel de Pena (Vila Real), não longe do actual concelho e outrora pertencente às terras de Penaguião.

E quanto ao segundo elemento: Guião?

Nada de definitivo, garantido pelos etimologistas sobre este segundo elemento do topónimo.

Documentado está que o castelo (pena) de Penaguião ainda se conserva em razoável estado na primeira metade do século XIII, como se lê nas Inquirições de D- Afonso III, a que se faz referência explícita.

Temos assim que Penagoya aparece nos inícios do século XIII, no foral de D. Sancho; Pena guyam, em meados do mesmo século XIII, nas Inquirições de D. Afonso III. Depois no XIV, Penagoyan; e já no século XVI, regressa-se de novo à forma usada em 1248, mas agora acoplada. Finalmente, nas “Demarcações Pombalinas” a forma cindida Pena Guião que, posteriormente, resultou na actual em Penaguião.

Posta a questão nestes termos, ainda nos resta encontrar explicação para as origens do uso de Santa Marta associado a Penaguião. E o mais curioso é que estamos na presença de uma realidade administrativa que nem sequer deu nome a paróquia ou freguesia. A actual vila, presentemente em franco crescimento, está adstrita administratica e eclesiasticamente a S. Miguel de Lobrigos.Até quando?

Vem dos tempos e usos medievais associar os nomes de santos patronos a topónimos de freguesias ou paróquias.

Com a vila de Penaguião acontece o mesmo fenómeno, mas muito mais tarde, nos tempos de Pombal, a quando da fundação da Companhia Régia das Vinhas do Altas Douro. É assim que passa a usar-se na documentação oficial - Santa Marta de Penaguião. E para honra dos habitantes desta terra, a efígie da “Santa Marta” entra no selo identificativo da Companhia.

Como acabamos de notar, estas terras já remontam as suas origens aos tempos da dinastia afonsina, época particularmente abundante em lendas relacionadas com o hagiológio cristão. Também nas “terras de Penaguião” continua acreditar-se na intervenção de Santa Marta como protectora da Região Demarcada do Douro, desde os tempos distantes da Idade Média. Fundamentado na crença popular, alguém terá sugerido a Mestre Lino António, o autor dos vitrais policromados de grande efeito artístico, nas escadas de acesso aos aposentos da Casa do Douro, que incluísse no grande painel Santa Marta, como símbolo da Região Demarcada.

Encravado geograficamente entre concelhos de aspirações diferentes, Santa Marta sofreu também das reformas administrativas liberais, marcadas pela criação ou extinção de concelhos. Assim, na reforma de 1835-37, foi criado o concelho de Peso da Régua, sendo riscadas do concelho de Santa Marta as freguesias de Peso da Régua, Sedielos, Fontelas, Mouramorta e Loureiro.

Por decreto de 26 de Setembro de 1895 foi suprimido o concelho de Santa Marta de Penaguião, sendo as freguesias da Cumieira, Fornelos e Louredo anexadas ao concelho de Vilas Real; as restantes sete, ao concelho de Peso da Régua, que, por sua vez, perdeu Sedielos para Mesão Frio. Todo o espólio documental – Arquivo e mobiliário da Câmara foram transferidos para a Régua.

Entretanto, as forças vivas e as populações não se conformaram com semelhante decisão, e imediatamente trataram de se municiar com os argumentos da sua história administrativa e económica para fazer valer os seus legítimos direitos, tendo recuperado a sua autonomia concelhia por Decreto de 13 de Janeiro de 1898.

A comemorar a sua carta de alforria administrativa foi instituído como feriado municipal o dia 13 de Janeiro.

A sede do concelho começou, finalmente, há uns anos a esta parte, a apresentar uma feição mais urbanística, abandonando o marasmo a que estava votada pelo poder central. Quedando-nos por momentos na “Concha Vinhateira”, bem junto ao largo pelourinho medieval, por sinal muito tosco, de coluna monolítica e despido de qualquer lavor artístico, sentimo-nos invadido por um ambiente pacato e tranquilo, não poluído pelos barulhos da modernidade.

Apenas incomodados pelo ruídos dos transportes rodoviários – os autocarros da Rodonorte ou da Empresa Tâmega - os que repousam à sombra em amena cavaqueira,, não carecem de elevar a voz para se fazerem ouvir.

Talvez por razões de aconchego no inverno e de aproveitamento do terreno para a cultura do saboroso néctar, a construção urbanística começou de pontuar-se bem junto ao vale estreito.

À nossa frente, voltados para a capela de S. Pedro, rasgou-se uma larga avenida, ladeada pelo Auditório, Quartel dos Bombeiros, Mercado Municipal, Quartel da GNR e Posto de Turismo. À direita, totalmente reconstruída a casa armoriada do visconde de Santa Marta, do século XVIII, onde foram instalados os serviços da Câmara Municipal. Um belíssimo edifício cujo pórtico principal é encimado por uma figura de pedra. Em frente, uma fonte luminosa, a abrilhantar o largo envolvente e a refrescar o ambiente da “ Concha Vinhateira”, e onde foi erguida a estátua ao Trabalhador da Vinha, de Laureano Ribatua.

No lado oposto, descendo em direcção à Escola Secundária, várias agências bancárias ao serviço das populações que assim evitam a deslocação à Régua a Vila Real. Regressando ao centro, temos à nossa esquerda, os serviços da Segurança Social e a Biblioteca, Finanças e Tesouraria; se rumarmos em direcção à capital do Distrito, vamos deparar, dominando a paisagem urbanística, com a Adega Cooperativa dos Vinhos, a maior e a e melhor apetrechada de toda a Região Demarcada, que conta com um número de tal de associados dos quais 70% são viticultores. A testemunhar a qualidade dos vinhos produzidos, refira-se que a produção de 1998 foi galardoada com o 1º Vintage. Na já história longa da Região Demarcada não consta até ao momento, que alguma instituição cooperativa ter sido distinguida com semelhante galardão. Este é o prémio, sem dúvida, de um trabalho iniciado pelas gerações do passado, mas que a nossa memória recorda com saudade. Referimo-nos ao seu primeiro Director- Francisco de Oliveira Dolores – que, numa rara visão futurista, teve a ousadia de congregar numa só instituição e sob uma só Direcção, os sócios das três Adegas do concelho: Santa Marta, Fontes e Cumeieira.

Na verdade, com a fundação da Companhia Pombalina, o Vinho e a Vinha ganham uma crescente importância económica no país e na região, nomeadamente no concelho de Santa Marta, ou não valesse a acção meritória, junto do Marquês, do dominicano Frei João Mansilha, natural de Lobrigos.

Percorrendo os arruamentos da vila, salta à vista na toponímia a ausência de qualquer figura histórica que dê nome a uma rua ou a uma avenida, e com quem os naturais se identifiquem. À primeira vista somos levados a crer que por estas terras de Penaguião, ninguém se evidenciou no campo das armas, das letras ou da política?

Não seria altamente pedagógico para as novas gerações que passam pela Escola Secundária familiarizarem-se desde os bancos da escola com os seus antepassados? Então como não evocar o 3º conde Santa Marta, cujo papel marcou politicamente o êxito da revolução da Restauração, em 1640? Não vai longe o tempo em que nos bancos da 4º classe se ensinavam os nomes dos 40 fidalgos que, na manhã do dia 1 de Dezembro, tomaram de assalto, em Lisboa, o Palácio residencial da Duquesa de Mântua com o seu secretário Miguel de Vasconcelos!

Pois quem disparou contra o traidor e renegado fâmulo da regente do rei de Castela, foi D. Rodrigues de Sá e Meneses, conde de Santa Marta. Em atenção aos seus talentos, espírito de justiça e vivo patriotismo, D. João IV nomeou-o conselheiro de Estado.

Em 1652 assumiu a alta missão de embaixador extraordinário junto da corte inglesa para procurar os apoios de Cromwel para o nosso país, a fim de fazermos frente às incursões castelhanas que continuavam a guerrear-nos em diversos postos de fronteira. Infelizmente, as diligências diplomáticas encetadas malograram-se porque os serviços da Inquisição não permitiram que a condição posta pelo Protector do Reino Unido - a liberdade de culto para os protestantes nos domínios da coroa portuguesa.

O concelho de Santa Marta depois de extinto pela reforma administrativa de 1895, foi restaurado em 1898, contando com as seguintes freguesias: Alvações do Corgo, Cumieira, Fontes, Fornelos, Loureiro, Medrões, S. Miguel de Lobrigos, S. João de Lobrigos, Sever, Sanhoane.

Quem nunca reparou na grandiosidade das casas solarengas, dispersas por todo o concelho, e nas igrejas de arte barroca e rococó, nomeadamente as da Cumieira e de Lobrigos, como mais adiante falaremos?

Ao turista amante da arte do século XVIII bastará entrar numa destas igrejas paroquiais para se informar da riqueza artística que enobrece o concelho de Santa Marta.

Se no local onde a vila vai crescendo em feição urbanística apenas assoma, reconstruído a bom gosto, a casa dos viscondes de Santa Marta, já na circunscrição administrativa do actual concelho, tomando como referência a aldeia de Santa Comba até às alturas de Sanhoane, sem esquecer Lobrigos, existem verdadeiros exemplares de arquitectura solarenga de belo recorte e de nobres tradições. Vivia-se a era do esplendor do vinho do Porto, primorosamente espelhada nas fachadas das casas armoriadas.

Património artístico das freguesias do concelho. Porque estamos numa das regiões mais abundantes de vinho generoso, não é de admirar que se encontre uma enorme quantidade de talha dispersa por todas as igrejas do pequeno concelho, coincidente com o período da expansão do vinho do Douro, os séculos XVII e XVIII. Facilmente se reconhece em toda ela, a mão dos artífices lamecenses daquela época, a cuja diocese Santa Marta pertenceu, antes de ser agregada à diocese de Vila Real. Ao dourado da talha, acrescente-se a existências de algumas imagens policromadas de boa feitura, alguns cruzeiros de raro valor artístico e duas ou três capelas.

Alvações do Corgo – É uma pequena freguesia cuja igreja paroquial é a mais desfavorecida do concelho em termos artísticos. Os cinco altares que a adornam interiormente não têm nada de decorativo; salva-se uma imagem de S. José, em madeira com relativo interesse artístico.

No local das Azinheira, ergue-se a capela de Nossa Senhora da Conceição, e na Quinta de Avidagos, a capela de S. Brás.

Cumieira – Situada no cume da serra de seu nome, é a freguesia mais populosa do concelho de Santa Marta, que se estende ao longo da estrada que liga a sede de concelho a Vila Real.

A sua igreja, construída nos princípios do XVIII (1726), se arquitectonicamente nada tem que a singularize, interiormente é extremamente rica. A fachada, ladeada por duas pilastras, tem ao centro, sobre a porta principal, a imagem da sua padroeira – Santa Eulália. Aqui trabalhou Mestre Nasoni, a expensas do mecenato do conde de Mateus, ao tempo Senhor da Cumieira. A talha de traça joanina é das mais ricas da região. Uma pintura nasoniana decora o arco cruzeiro, que lhe emprestou beleza rara, mas que hoje quase passa despercebida. De belo recorte artístico algumas das imagens distribuídas pelos seis altares de talha dourada, sem contar com o altar-mor. As paredes, ainda até há pouco tempo, continuavam cobertas por uma camada de cal. É um imóvel de interesse público.

Em termos de arquitectura civil, está sediada na sede da freguesia, a Casa da Cumieira, com um magnífico portão, a revelar a prosperidade doas fidalgos que a habitaram. Presentemente já nada fala desses tempos de opulência, bem reflectido no próprio abandono da sua pedra de armas onde dificilmente se lêem os caracteres nela esculpidos. Depois, toda uma série de casas brasonadas do século XVIII, umas restauradas, outras abandonadas, monumentos falantes dum passado de esplendor económico, mas que não resistiram às vicissitudes das guerras liberais.

É de louvar a ideia da Junta de Freguesia ter erguido um pequeno busto de belo efeito, junto à estrada de quem sobe para Vila Real.

Fontes – É, sem dúvida, a freguesia mais antiga do actual concelho de Santa Marta, com foral concedido por D. Sancho I em 1202, confirmado por D. Afonso III em Coimbra, em 1218, e renovado por D. Manuel I, na mesma cidade em 1519. Foi sede de concelho, extinto em 1836, pelas leis liberais. A igreja paroquial, edificada em 1775, aguarda uma oportunidade para ser devidamente limpa.

Dentre as numerosas capelas erguidas pela devoção dos fiéis aos seus santos protectores, distingamos, em primeiro lugar, a Capela de Nossa Senhora do Viso, no lugar mais elevado da freguesia, ali para as bandas do Marão, também designada por santuário de Nossa Senhora do Viso. Uma templo de razoáveis dimensões, revestido a azulejos. Teria sido aqui construída a primeira igreja paroquial de Fontes, doada por D. Diniz à Ordem de Malta, embora todo o recheio artístico seja muito posterior: a talha da época joanina e a dos altares laterais, renascença. Existia no arco cruzeiro um gradeamento de prata, uma peça artística de preciosidade rara, que os soldados franceses, na época das invasões, extorquiram, e hoje se encontra exposto no Museu dos Inválidos, em Paris.

Dispersas por montes e vales, consoante a devoção dos fiéis, se ergueram outras capelas: Capela de S. Sebastião,1689), com retábulos de talha; Capela de Santa Quitéria (1747), vizinha da Capelinha da Senhora da Saúde; Capela de Nossa Senhora de Fátima (1945); Capela de Nossa Senhora do Miradouro, perto do Viso.

A enfeitar os caminhos, ergueram-se cruzeiros de fino recorte artístico; logo à entrada, pode contemplar-se um belíssimo exemplar, com figuras de santos em alto relevo, mandado construir por José Taveira de Magalhães, em 1857.

Quase contemporâneo deste, e hoje na posse de particulares, no lugar de Castrelo, um outro exemplar, mandado construir por Manuel Monteiro Prior, também com estatuária de santos.

Arqueológicamente, Fontes conserva vestígios de um antigo castro, onde os amantes da arqueologia têm descoberto peças de valor incalculável. Por exemplo uma Ara votiva greco-romana. Uma achado raro muito elegante dedicada “À (deusa) AVGECILEA (de Cillae ou Cila), Minia, filha de Mebdo? construiu (este monumento) cumprindo um voto. Um outro achado é uma luva romana, em malha de ferro, em primoroso estado de conservação, uma peça rarissima na arqueologia portuguesa

Fontes não é muito prendada em casas brasonadas: apenas uma do século XVIII, a Casa dos Poeiros, com brasão e capela particular.

Fornelos – A uma distância de 8km. da sede do concelho e servida por uma estrada asfaltada, Fornelos tem uma igreja paroquial, semelhante à da Cumieira, embora o visitante possa ser levado em erro ao ler a inscrição de 1674, na capela de Santa Ana, que lhe é anexa.

No seu interior, algum recheio em talha idêntica à de outras igrejas da zona.

Igualmente se deparamos com algumas capelas como a de S. Pedro, S. Gonçalo, Santa Eufémia e Senhor dos Aflitos.

Recebeu foral passado em Lisboa a 7.IV.1257, renovado por D. Manuel, concedido a santa Marta.

Lobrigos (S. João) – Esta freguesia apenas a 2,5Km. da sede do concelho, distribui-se ao longo de toda a estrada que nos leva à vizinha cidade da Régua.

Para datarmos a fundação da sua igreja paroquial, basta lermos a inscrição dum túmulo que se encontra na capela-mor (1638 e uma outra existente na sacristia (1728).A atestar a veracidade destas datas, repare-se no estilo da talha dos retábulos que decoram o interior da Igreja. Quem não se sente enlevado ao contemplar, boquiaberto, a quantidade de caixotões com pintura a óleo, na capela-mor e no corpo da igreja, descrevendo a vida de Cristo e os Apóstolos, que no seu conjunto conferem rara imponência artística a todo o espaço religioso. Felizmente, as atenções do IPPAR voltaram-se para estas bandas, encontrando-se a trabalhar uma equipa de jovens restauradores. Segundo palavras do Senhor Abade, que encontramos na nossa visita, do recheio consta um órgão dos fins do século XVIII, que não se enquadra no contexto arquitectónico. Uma peça desenquadrada.

Atendendo a todo este património, a igreja passou a ser considerada em 1966, imóvel de interesse público.

Em termos de estatuária destacam-se as imagens de Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora da Assunção e Santa Rita de Cássia, estas últimas de valor valiosíssimo.

Pela freguesia encontra-se distribuídas as seguintes capelas: capela de S. Gonçalo, parte integrante da casa brasonada, onde actualmente está instalado o asilo Luís Vicente; capela de Nossa Senhora da Graça, no alto de S. Gonçalo; capela de S. Lourenço em Vila maior; e a capela de Nossa Senhora da Conceição.

Na arquitectura civil, destacamos, na estrada da Régua- Santa Marta, uma casa armoriada do séc. XVIII, que hoje alberga o Asilo; Casa armoriada sita no lugar da Aveleira, Casa da Quinta do Bairro do séc. XVI com brasão em madeira entalhado no tecto.

Vizinho da igreja paroquial, no largo fronteiriço, uma artístico fontanário, de 1771, encimado por um brasão dum antigo abade.

Louredo – Situada lá para as abas do Marão, dista uns 12 Km. do concelho. A actual freguesia resultou da junção administrativa de duas freguesias, Santa Maria de Louredo, referida em documentação anterior à nacionalidade (1086), incluída nas terras de “Panóias”, e S. Cristóvão. Já consta nas Inquirições de 1220 “de Sancta Maria de Lauredo”.

No lugar do Carvalho e Louredo, perto da Igreja, têm sido encontrados vestígios de romanização.

A Igreja é do século XVIII, na qual se venera uma valiosa imagem, de Nossa Senhora da Purificação, do século XV, e ainda um belo cruzeiro, em granito, no povo de Carvalhais.

Medrões – Dista da sede do concelho 5km., servida por estrada asfaltada. A igreja paroquial é um grande templo provavelmente do século XIX. Um templo sóbrio nas suas linhas. . No seu interior destacam-se as pinturas das paredes e do tecto, mas sem interesse artístico.

Bem mais importante é a capela de S. Pedro, no cemitério, rica em caixotões, onde estão pintados a óleo alguns pontífices romanos. A decorá-la internamente, em talha dourada, o arco da capela-mor os altares laterais e o púlpito do séc. XVIII.

Interessante um fontenário, também do séc. XVIII, designado por Fonte do Rei, encimada pelas armas régias.

S. Miguel de Lobrigos – Posto que administrativamente independente, esta freguesia serve de assento à vila de Santa Marta de Penaguião. A sua igreja paroquial data do séc. XVIII, decorada interiormente com caixotões emoldurados com talha dourada, sendo os da capela-mor ornamentados com pinturas a óleo. Muito apreciáveis artisticamente e cuidadosamente restaurados merecem uma visita de quem se interessa pela pintura religiosa.

A imagem de S. Miguel, padroeiro da Paróquia, pela sua beleza e proporção de linhas, é uma jóia do século XVII

Aqui foi erguida a capela de Santa Marta, a padroeira da Região Vinhateira.

Toda a documentação oficiosa da Companhia Geral das Vinhas do Alto Douro devia ser selada com o selo da Companhia, no qual estava gravado a imagem de Santa Marta, a protectora do Douro, e por baixo uma latada com seguinte legenda: Providentia regitur.

As capelas diversas erguidas por toda a freguesia não revestem grande aparato artístico ou arquitectónico.

As casas de traça solarenga são apenas duas: a Casa de Santa Comba, do séc. XVIII, brasonada, e a Casa do Salgueiral.

Sever – É a freguesia mais próxima da sede do concelhio, à distância de 2km.

A sua igreja paroquial é mais um dos templos que não foge à vulgaridade duma arquitectura sem arte e sem linhas. O seu tecto é ornamentado com caixotões, onde estão pintados os santos de maior devoção do calendário. O altar-mor estão decorados com talha dourada do séc. XVIII.

As capelas de S. Martinho, de Nossa Senhora do Bom Despacho e da Senhora da Conceição não apresentam nada de significativo na sua arquitectura.

Sanhoane – É uma freguesia apenas a 3km. de distância da sede do concelho.

A sua igreja paroquial se arquitectonicamente é mais um templo do séc. XVIII,

já o seu interior é um dos mais ricos cuja talha se compara na sua exuberância à da Cumieira. De realçar como o retábulo da capela-mor em granito se conjuga harmoniosamente com a talha em madeira do período joanino, da autoria dos entalhadores da escola lamecense.

Dentre as capelas, destaquemos a Capela de S. Pio Mártir, cuja fachada tem inspiração nasoniana. Embora pertença da Quinta do Serrado, está aberta ao culto público.

Na arquitectura civil, distinguimos a Casa da Quinta das Cabanas, com pedra de armas e capela; a Casa da Quinta do Meio, do séc. XVIII, bem conservada, com capela e brasão de armas; Casa da Quinta do Pinheiro, herdada por Engº D. António Queiroz de Vasconcelos Lencastre, filho de D. José Maria Queirós de Lencastre, de apreciável grandiosidade, com pedra de armas e capela privada.



Figuras ilustres:

António Pinto de Sousa Lello, ver Dic. I Vol. p. 298.
Marechal António Teixeira Rebelo, ver Dic. I Vol. 516.
P. Manuel Rebelo da Silva, ver Dic. I Vol. 583.
Frei João Mansilha, frade dominicano. Ver Dic. I Vol. pp. 235-236.
José Joaquim de Almeida Carvalhais, ver D. I Vol. 130
D. José Maria de Queiroz Lencastre, ver Dic. I Vol. p.302-303
Manuel de Oliveira, cineasta, do local da Veiga.

Para responder às exigências duma sociedade moderna, onde se devem cultivar os valores da cultura por parte das populações mais afastadas dos grandes centros, a Autarquia tem-se esforçado por incentivar por todo o concelho as seguintes instituições: educativas (Escola Preparatória e Secundária, Patronato), de segurança (Quartel da GNR), sociais ( Corporação dos Bombeiros Voluntários), financeiras (Agências bancárias), de saúde (Centro de Saúde) e desportivas (Associação Desportiva e Desportiva de Santa Marta), folclóricas e musicais (Grupo Terras de Santa Marta, Ranchos Folclóricos de S. Miguel de Lobrigos, de S. João, Flor D´Aurora de Tabuadelo, Medrões, Banda de Música da Cumieira, A Tuna de Carvalhais, os Bombos de Paradela do Monte, a Escola de Música de S. João de Lobrigos).

Para a natação (Praias Fluviais de Fornelos, de Alvações do Corgo e de S. João de Lobrigos).



Festas e Romarias.

Dentre as de Santa Marta de Penaguião destacamos algumas: a de Nossa Senhora da Guia na sede do concelho, a de Nossa Senhora do Viso em Fontes, a de S. António em Alvações do Corgo, de S. Lourenço em Vila Maior, de S. João em Fornelos, de S. Pedro em Lobrigos e de Santa Bárbara na Cumieira.

Artesanato – Para o cultivo da vinho da vinha, o lavrador recorre a um variado instrumental. Os cesteiros e tanoeiros continuam a perpetuar os processos e saberes na confecção da cestaria e tanoaria. Depois os trabalhos de tapeçaria, renda e bordados, apresentados na organização da Semana cultural do Concelho, por alturas da Primavera.

A lenda de Santa Marta - Num belo dia, um conde de origem francesa mandou incendiar uma capela branca em honra de Santa Marta. Depois de cometido tão grande sacrilégio, apareceu-lhe a Santa, que o castigou mandando-o plantar e trabalhar a vinha durante um ano.

Cheio de remorsos e envergonhado virou-se para a cultura da terra e plantação da vinha em cumprimento da sua pena.

Na vindima, mais contente e com a alma em paz, oferece uvas a santa Marta, fruto do seu trabalho.

Foi assim que esse conde de nome Guillon foi o primeiro a granjear a vinha na região.

Nota. A lenda teria dado origem a um lugar chamado “Santa Marta de Penaguião. Santa marta, pena + guião.
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